segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Demonologia X Demonolatria





Enquanto a Demonologia visa o estudo sistemático, a Demonolatria visa a Adoração dos Demônios. De forma pura e simples. Sem filosofias e sem enrolação, simplesmente a negociação e adoração a entidade, ofertando ela aquilo que lhe é devido.

Na antiguidade a Demonolatria possuía uma forma de atuação muito mais forte na sociedade. As Brujas antigas e Ermitões eram considerados perigosos e temidos mesmo pelos governantes e caçados pelo Clero,que os matava sem hesitar e oferecia recompensas e condecorações a quem o fizesse.
 





A figura destes demonólatras é quase lendária,mas deveria ser espelhada pelos reais adeptos da atualidade. A imagem é quase caricata. Uma cabana isolada, uma vida afastada de pessoas que não sejam necessárias, auto sustentabilidade, criando animais e vegetais para consumo em uma pequena fazenda particular, poucas terras e quase nenhum dinheiro, roupas sempre na cor do demônio principal a quem se tem adoração e claro, seu sigilo carregado ao pescoço ou bordado num manto. SEMPRE exposto com Orgulho genuíno em se trabalhar com tal entidade. Em troca, o Conhecimento, a Proteção e fidelidade de uma entidade de alta patente.

Apesar de inviável hoje em dia,tudo isso possuí uma razão em ser. O isolamento mantém o ocultista longe de frequências energéticas indesejáveis que possam afastá-lo da entidade que ele tanto lutou para obter. Produzir a própria comida e roupa também preservaria mais facilmente esta pureza.
O sigilo carregado emanaria energia da entidade servindo também de comunicação entre ambos. Familiares eram frequentemente vistos rondando a casa. Animais relacionados a divindade escolhida. Toda vida do ocultista era voltada para a Adoração,servidão ou contrato. Isso fazia com que seus rituais fossem absurdamente poderosos,sendo ele capaz de mesmo com uma palavra e gesto amaldiçoar alguém,curar ou defender. Claro,o mesmo valia para os Santos devotados a IHWH ou alguma entidade angelical.

Irritar uma bruxa poderia fazê-la amaldiçoar você. Uma Bruja devota a Beelzebub poderia provocar pústulas e doenças com uma simples praga rogada verbalmente. Eremitas e velhas em cabanas eram temidos por causa deste fato.
E assim era nos tempos onde os nomes de ambos Deus e Diabo eram temidos e não banalizados…

Um adendo interessante: Todo Satanista [tradicionalista] é, por definição, um Demonólatra que remete ao culto de entidades de cunho Demoníaco. Mas nem todo Demonólatra/Demonólogo é um Satanista especificamente, seguindo uma filosofia específica ou aderindo a um posicionamento espiritual “Sinistro”. Ele pode simplesmente estar lidando, por um período de tempo determinado ou não, com uma entidade de cunho Demoníaco, sem estar inserido no contexto satânico por si.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vampirismo Psíquico

ATENÇÃO: Este "post" nada tem haver com o tipo de vampirismo cultuado em filmes e literatura, o termo vampirismo aqui explicado trata de pessoas que sugam energia vital de outras, consciente ou inconscientemente. 

O texto abaixo aborda algumas curiosidades relativos ao termo "psyvamp" utilizado para explicar tal prática.


Um vampiro psíquico, energético ou prânico, ou psyvamp para abreviar, é definido como uma pessoa que tem a habilidade inata para tirar da energia de vida de outros. Explicações relativas aos fatos que geralmente cercam vampirismo psíquico variam de um extremo para o outro. Não há um conjunto de "qualidades" que declaram se uma pessoa é ou não um psyvamp, embora a maioria de psyvamps tenda a ter um conjunto de qualidades em comum. Entre elas (mas não necessariamente apenas essas):

Um recém-nascido, herdou, a habilidade adquirida para tirar energia de outros seres humanos. Esta drenagem de energia pode acontecer por contato físico, contato mental, contato sexual, etc.


Ilustração - Vampiro tradicional usados no cinema e literatura

Alguns psyvamps também retêm a habilidade para tirar energia de coisas, inclusive animais e vários elementos de natureza. Outras habilidades incluem:

  • Empatia, ou a habilidade para sentir ou "ler" os sentimentos e emoções de outros.
  • A habilidade para perceber a aura humana.
  • A habilidade para manipular energia de vida conscientemente. Esta habilidade às vezes pode ser empregada em várias técnicas curativas.
  • A habilidade para bloquear ou impedir outros psyvamps de drenar sua energia pessoal.
  • Uma preferência pela existência noturna, às vezes envolvendo uma aversão ou reação para luz solar.
  • Uma atração para sangue.

A lista acima é só um começo. Nem todos os psyvamps possuem todas as características listadas, da mesma maneira que alguns psyvamps podem possuir características além desses acima. Muitos psyvamps possuem outras habilidades psíquicas também.

Quase todos já entraram em contato com um psyvamp genuíno na vida. Um encontro com um psyvamp pode deixar uma pessoa sentir mal ou cansada. Este fadiga pode acontecer fisicamente, mentalmente ou emocionalmente. Isto significa que todos os psyvamps são maus e roubam energia de vida preciosa daqueles ao redor deles? Definitivamente, não.

Um psyvamp pode absorver energia, às vezes sem perceber. Alguns psyvamps nem mesmo conhecem sua própria natureza. Como é isto possível? Ninguém nasce com "Você é um Vampiro Psíquico" estampado no peito. Ocasionalmente, esta consciência vem com o contato com a ação de outro psyvamp, como resultado de um mudança de vida brusca, e às vezes até mesmo um evento traumático. Uma vez ciente de sua natureza de psyvamp, passos devem ser seguidos para ajudar no processo de aprendizagem de como controlar e estabilizar a própria energia, como também como drenar a energia dos outros.

Um psyvamp pode ter mudanças de humor drásticas que dependem do nível de energia pessoal e pode ir rapidamente de hyper (palavra que usamos para definir uma pessoa com excesso energia, feliz, bem disposta e saudável) para extremo down (contrário de hyper) e variando. Um estado chamado de flutuação é definido como depressão e baixa de energia simultaneamente. É sabido que nessas crises, alguns vampiros se suicidaram. Quando um psyvamp não é ensinado, pode drenar a energia inconscientemente de tudo e todos ao seu redor, até que sua energia pessoal seja estabilizada. Alguém em contato com um psyvamp pode se sentir freqüentemente drenado como resultado deste fenômeno. Exposição ininterrupta a este tipo de drenagem de energia pode causar sofrimento físico eventualmente.

Sim, há psyvamps que drenam outros até o ponto de esgotamento para satisfação própria. É minha convicção pessoal que este tipo de psyvamp é raridade. Um psyvamp que opera com intenções boas saberá quando e onde é apropriado alimentar-se, e fará tudo ao seu alcance para evitar drenar energia de outros quando não é necessário. Drenar energia de uma pessoa que é fraca ou doente pode causar dano até mesmo para um psyvamp.

Como vampiros psíquicos drenam energia?


O processo de drenagem de energia de outros é diferente de um psyvamp para outro, entretanto algumas linhas comuns aparecem. Para os que o fazem conscientemente, podem concentrar o olhar e simplesmente puxar a energia para eles. Esta técnica que é geralmente é chamada alimentação ou drenagem.

Contato físico geralmente não é necessário durante a drenagem, embora algum psyvamps prefiram utilizá-lo. A maioria do psyvamps tem a habilidade para puxar energia de longe. Alguns preferem puxar energia por contato sexual, e alguns podem puxar energia até mesmo pelo telefone.

Para a maioria dos psyvamps, puxar energia é instintivo. Eles se dão conta subconscientemente da necessidade de energia e imediatamente começam a procurar fontes de energia mentalmente. Um psyvamp pode ser atraído às pessoas hyper. Um psyvamp também pode ser atraído a lugares onde as pessoas congestionam, normalmente lugares onde é provável que energia esteja alta, como clubes ou até mesmo cidades grandes. Nesses casos, um psyvamp pode tirar quantias pequenas de energia de muitas pessoas em vez de escoar um só indivíduo.

Processos curativos


Um tremendo benefício que a habilidade para manipular energia lhe dá é a oportunidade para usá-la para a cura. Um psyvamp treinado pode aplicar as técnicas de uso energia de sua energia para o processo curativo neles e em outros. Isto pode ser feito de dois modos diferentes. A primeira maneira de cura envolve a drenagem da energia estragada do indivíduo doente num esforço limpar e equilibrar o sistema dele. A segunda maneira de cura envolve transferindo energia saudável do psyvamp para o indivíduo doente numa tentativa de somar as forças para o processo curativo do corpo do próprio paciente.

Muitos psyvamps sentem atração por sangue. Muitos psyvamps, especialmente esses que são desinformados da sua verdadeira natureza, viram vampiros bebedores de sangue por ser algo que alivia o sentimento de carência de energia (o sangue tem uma altíssima concentração de energia).

Como uma pessoa se torna um vampiro psíquico?


Embora não haja nenhuma regra comprovada, há várias hipóteses que tentam explicar como um psyvamp se origina. Algumas das hipóteses normalmente ouvidas são:

  • Uma pessoa nasce um psyvamp.
  • Uma pessoa pode herdar vampirismo psíquico geneticamente.
  • Uma pessoa pode ser se transformada em um psyvamp como resultado de um ataque por outro psyvamp.
  • Uma pessoa pode ser transformada por um psyvamp treinado e habilidoso que controla a transferência de energia entre os dois até um ponto que o torne um psyvamp.
  • Uma pessoa pode se tornar um psyvamp depois de se treinar no uso e manipulação de energia.

É importante lembrar que essas hipóteses são apenas especulações. Não há ainda uma teoria correta e/ou comprovada.


Como eu posso me tornar um vampiro psíquico?


Eu encorajo qualquer um que deseja se tornar um psyvamp para parar e pensar no que pretende ser verdadeiramente... Ser um psyvamp não o faz mais atraente ou sexy. Não o faz mais misterioso. Não lhe oferece o estilo de vida fascinador dos vampiros descrito em ficção, filme e televisão. A realidade da vida de um psyvamp é um real contraste às imagens criadas pelas mídia hoje.

A maioria dos psyvamps é sozinha. Ninguém quer estar ao redor de alguém que constantemente o deixa sentindo falta de energia. Psyvamps são freqüentemente prepotentes, como resultado de se alimentar excessivamente em uma tentativa de compensar a falta de energia. Flutuações drásticas em humor acontecem freqüentemente como resultado de energia instável. Os "baixos períodos" quando o nível de energia de um psyvamp é esvaziado pode conduzir a turnos de depressão. Um psyvamp não treinado pode ser até mesmo um perigoso àqueles ao redor dele. O processo de treinamento é árduo.

Como você pode ver, as desvantagens são imensas. Eu aconselharia qualquer um com o desejo de se tornar um psyvamp a reconsiderar seriamente. Ainda é desconhecido sobre se um indivíduo deve ou não nascer um psyvamp, ou se a condição pode ser passada. Assim eu recomendaria não alimentar suas esperanças.

Como eu sei se fui atacado por um vampiro psíquico?


É importante entender a diferença entre ser atacado e só estar cansado. Todo o mundo entra por pontos na vida em que se sente exausto e/ou deprimido, e estes sentimentos necessariamente não indicam um ataque de psyvamp.

Um ataque de psyvamp pode ser sentido freqüentemente enquanto está acontecendo, quando a vítima é sensível o suficiente para sentir a própria energia. Se você está ao redor de uma pessoa que constantemente o deixa sentindo "escoado", fraco ou cansado, aquela pessoa pode ser um psyvamp.

Eles podem ou não estar conscientes do que estão fazendo.

Defender-se de um ataque de psyvamp não é uma tarefa simples. Uma convicção comum do passado era que cruzar suas pernas e braços simplesmente e enfocar em fechar sua energia dentro de você seriam bastante para impedir para um psyvamp de ganhar acesso à sua energia pessoal. Isto pode funcionar se feito por uma pessoa que é treinada e tem um comando forte sobre a própria energia. Técnicas usadas em treinamento psíquico, como gerar proteções de  energia pessoais ou proteções de aura podem ajudar também defender contra um ataque.


Mais temas relacionados a psyvamp aqui

 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Egotopia

Os sonhadores podem escolher entre muitas utopias. Algumas são igualitárias, outras libertárias outras ainda totalitárias, mas quase todas têm em comum a unanimidade. Em todas elas o mundo se torna perfeito a partir do momento em que toda oposição termina. Na utopia abraâmica todos se curvam perante Jeová. Cristão de todas as espécies esperam o milênio em que Cristo governará o mundo inteiro. Nazistas ainda aspiram um planeta regido pelo nacional-socialismo sob a batuta de um Führer vindouro. Mesmo os budistas, mas conhecidos por sua tolerância e guiados por seu niilismo, desejam secretamente que todos alcancem logo sua iluminação. 

A mecânica por trás destas ideologias tem raízes profundas que nascem a partir do momento em que as pessoas constroem uma visão de vida na qual seus inimigos são sempre mais fortes do que elas. É por esta razão que toda religião tende para a teoria conspiratória.  Para cristãos este mundo terreno é regido pelo Diabo, o príncipe deste mundo. Para os comunistas o capital internacional molda todos os detalhes da vida ao mesmo tempo em que para o capitalismo a socialização do mundo é uma ameaça gigante e crescente. Para os muçulmanos o ocidente (O Grande Satã) domina o mundo enquanto que simultaneamente os lideres ocidentais assistem a islamização de suas nações. Mesmo em casos microcósmicos o Inimigo está sempre espreitando: um rival deseja o seu emprego, o mercado de trabalho está saturado, os homens trabalham menos e ganham mais. Os árabes tem mais petróleo, a China vai levar toda pequena e média indústria ocidental à falência. Em todos estes casos, não importa quão diferente sejam uns dos outros o padrão é sempre o mesmo, se a utopia é a vitória total e o fracasso é arte da vida isso só pode significar uma coisa: o Inimigo está no poder.

A verdade é que estas pessoas estão com medo. Medo de si mesmas e do mundo ao seu redor. Elas sabem que não tem o poder que gostariam de ter e então olham em volta e secretamente desejam que alguém saiba o que diabos está acontecendo. Ardentemente desejam que pelo menos alguém esteja no controle. O que enxergam com seus olhos não se harmoniza com seus altos ideais e assim suas mentes dão todo seu poder de bandeja para seus maiores inimigos. O bode expiatório está no trono do mundo e assim instantaneamente elas não se sentem mais responsáveis pelos seus próprios fracassos.



Efeitos psicológicos da utopia covarde

 

Viver em um mundo onde você é por definição um perdedor traz alguns desdobramentos perturbadores. Por mais que uma crença exalte a fraqueza ninguém gosta de ser derrotado. Este ressentimento faz com que eles projetem seus sonhos para o futuro longinquo ou para uma realidade depois da morte. Nascem então escatologias mirabolantes onde finalmente o inimigo será derrotado e todas as suas medíocres vidas são finalmente justificadas. Neste final feliz, imaginam que todos ao seu redor entrarão finalmente em acordo, as utopias religiosas por exemplo sugerem que haverá então apenas uma religião (a sua é claro) e tudo finalmente funcionará como eles sempre quiseram. Todos serão por fim felizes quando acabar a batalha com o grande inimigo.

Mas não há felicidade sem inimigos. Mesmo entre estes que não sabem aproveitar um bom adversário, este postulado é verdadeiro. A partir do momento em que este oponente fosse vencido suas vidas perderiam o significado. Não haveria ninguém em quem colocar a culpa. Ninguém em quem descontar suas frustrações. Nenhuma barreira entre eles e seus mundos ideais. Bastaria dar um passo para provarem que estão certos e este é um passo pesado demais para a maioria das pessoas. Todos estão sempre prontos a serem reis, exceto quando a coroa está ao alcance das mãos.

A própria ideia de utopia deixa isto claro, a palavra foi cunhada a partir dos radicais gregos οὐ, "não" e τόπος, "lugar", portanto, o "não-lugar" ou "lugar que não existe". Não importa o quanto você espere, se esforce, lute ou se sacrifique, se existe uma chance daquele seu ideal se materializar, ele deixa de ser utópico.

Outro efeito colateral no mínimo bizarro, que esta filosofia cria, é o conceito do "destino manifesto". Independente do que a pessoa pense, sinta, fale ou faça, ela sempre estará coberta de razão e do lado dos mocinhos. A lógica é simples: meu inimigo está ai, e ele é real e claro como o sol e está agindo para me derrubar, por outro lado, por mais que eu faça o oposto do que prega a filosofia que digo que é minha, eu sou bom no fundo. Assim o fato de eu ser um perdedor simplesmente mostra que meu inimigo é mais poderoso do que eu agora. Assim, conclui, eu não só não tenho culpa de tudo o que acontece, como mereço receber justiça um dia.

Ou seja, se a pessoa é pobre, por mais que beba, que xingue, que bata nos filhos quando está cansada, que tenha casos fora do casamento, pode encontrar conforto e ser cristã, por exemplo, e saber que os pecados serão perdoados. Ela vai se sentir injustiçada cada vez que algo ruim acontecer, mesmo que nunca faça nada para melhorar sua situação. Já que há um inimigo no pé dela e por mais besteiras que ela faça, está sempre do lado de Cristo, Allah, da Empresa, do Capitalismo, da Democracia... então eventualmente quando a utopia dela se realizar, tudo o que ela passou será corrigido.

O tempo, o diabo, os chefes, os empregados, a genética, a idade, os políticos... É sempre culpa de alguém, mas nunca de si mesmo. Essa condição se reflete em todo aparato moral carregado por estas crenças. Seja qual for a metafisica defendida, quer acreditem em reencarnação ou em céu e inferno, o produto desta postura é sempre o mesmo:
  • compaixão não solicitada para quem não concorda com sua visão;
  • comodismo irresponsável;
  • humildade doentia para fazer suas derrotas parecerem nobres;
  • dependência de bodes expiatórios;
  • indivíduos sem ética, apenas com uma moral tendenciosa;
  • criação de um futuro catastrófico (que nunca chega) onde o inimigo é vencido
  • impulso de buscar apenas seus direitos, nunca seus deveres.

O "Foda-se" como solução.


Não é assim no Reino de Satã. É provável que o Satanismo seja a única religião não-catastrófica, o Satanismo não busca utopias e sim a excelência, a sociedade não é um objeto regulador, mas o reflexo da meritocracia e portanto a única utopia egoísta. O objetivo do Satanismo não é propor um não-lugar para todos, e sim um objetivo para o indivíduo. Nem no melhor dos mundos possíveis esperamos uma entrada das massas para nossa maneira de pensar. Somos a única religião que admite que tudo está onde deveria estar. Só não confunda isso com ingenuidade otimista. Dizer que o Satanismo não se preocupa em angariar novos membros para o seu clube social não quer dizer que o Satanista está satisfeito com o mundo da forma que ele está no momento. Os fracos servirão, os fortes prosperarão. Se a sua vida vai mal tente melhorá-la ao invés de procurar uma desculpa. Quando a moral vigente diz que é errado você tomar uma atitude que culmine no desenvolvimento do seu modo de vida ou você abaixa a cabeça e muda de atitude ou levanta a cabeça e muda de moral.



Existe uma diferença entre seguir a lei e se submeter a uma hierarquia estúpida. Ao invés de considerar a si mesmo um mártir da resistência o satanista carrega o peso da própria responsabilidade. Certamente não está tudo como gostaríamos que fosse, mas a responsabilidade é o preço a pagar pela liberdade. A única demanda que queremos em nosso mundo ideal é que possamos ser nós mesmos, que possamos ser satanistas. Se as demais pessoas preferem viver suas vidas de outro modo, isso pouco nos interessa.

Em verdade, se pararmos para pensar, é até desejoso para nós que as pessoas em geral nunca se tornem o que somos. Rodeados por pessoas que preferem ilusões e comodismo torna-se muito mais fácil atingir nossas metas pessoais, afinal no momento em que propomos uma resposta para todos, temos que nos responsabilizar por todos, e isso não é exagero. Uma das premissas do Satanismo é responsabilidade para o responsável, ou seja, de maneira prática não perca tempo planejando ou fazendo propaganda de coisas que você não pretende, nem tem força para realizar, para que planejar uma sociedade mais justa se você não vai assumir a justiça para todos? Falando francamente, há inúmeras vantagens para um lobo viver rodeados de cordeiros. Uma pessoa que insista em ser passiva e altruísta e obediente está fadada a ser explorada por aqueles que não o são. Quão bom é, portanto, não estarmos rodeados de satanistas?

Isso explica porque entrar em uma igreja é tão fácil e entrar em um templo satânico tão difícil. Um exemplo claro disso é o trabalho de "pregação" do ateísmo por Richard Dawkins. Ao pregar que a melhor filosofia é para todos ele a nivela por baixo. Um mundo sem Deus, que se guia pela lei do mais forte é bom? Claro! Muito melhor do que ideias cegas baseadas no folclore, mas sair pregando aos quatro ventos que todos deveriam pensar assim é perda de tempo. Existem ideias que só são percebidas por pessoas que já possuem um mente madura, não adianta querer empurrar goela a baixo de todos, o máximo que se consegue com isso é um bando de novos crentes; e os crentes farão de tudo para converte-lo e fazê-lo sentir-se aceito. De fato, se você tem dificuldades em fazer amigos o melhor lugar para ir é um templo das religiões da luz que cega. Mas eles não fazem isso por você, fazem por si mesmos, para confirmar para si próprios seus dogmas e abafarem qualquer chama de dúvida que pudesse existir.

Por outro lado qualquer pessoa que já tenha tentado entrar em um grupo de satanistas sabe que os adeptos da via sinistra farão de tudo para você desistir num primeiro momento. Não estamos desesperados em ganhar adeptos. Isso é esperado e faz parte da nossa seleção e garante que apenas os mais determinados e independentes adentrem nos círculos da sociedade satânica. Nós não te pegamos pela mão para te ajudar a chegar ao topo da montanha mais alta, nem perdemos tempo explicando o passo a passo do alpinismo satânico, mas pode ter certeza que se for capaz de chegar lá, poderá participar da celebração do grupo. Somente entra na Catedral Negra aqueles que provam que conseguem viver fora dela.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

"Conheça as misteriosas fábricas subterrâneas nazistas"

Conheça as misteriosas fábricas subterrâneas nazistas


Esta ai outra coisa que os aliados tomaram nota ao final da guerra, as fábricas subterrâneas nazistas foram um exemplo para a construção de bases pós-guerra tanto nos Estados Unidos quanto na URSS. O que talvez você não saiba é que várias destas fábricas subterrâneas nazistas permanecem fechadas até hoje e ninguém sabe o que está escondido la dentro.


Imagina um pais sendo literalmente terraplanado por bombardeios diários e sistemáticos, cidade por cidade. Imagina um enxame de mais de 1000 bombardeiros e 600 caças vindo todos os dias despejar a sua carga mortal, tanto de dia como de noite. Esse era o cenário em 1944 na Alemanha nazista.

Assim desse jeito a única saída era levar todas as fábricas para o mundo subterrâneo, único lugar onde as bombas não podiam chegar. Na urgência qualquer lugar era bom desde que protegido por rocha e pedra encima e assim foram usadas minas abandonadas, cavernas e também trechos de túneis ferroviários. Outros complexos foram diretamente escavados na rocha das montanhas do sul da Alemanha e da Áustria.
Estamos falando que estas fábricas subterrâneas nazistas tinham quilômetros de túneis ocupados por linhas de produção das mais diversas armas, inclusive dos foguetes V2. Só na fábrica Mittelwerk onde eram fabricadas as V2 existiam mais de 11 quilômetros de túneis e trabalhavam milhares de prisioneiros como escravos. Mas, esta fábrica de Mittelwerk foi capturada intacta, com outros complexos isto não ocorreu assim e inclusive até faz pouco tempo estavam sendo descobertas novas fábricas subterrâneas nazistas que tinham permanecido fechadas por 70 anos. Como no caso do complexo subterrâneo descoberto por Andreas Sulzer embaixo da tranquila cidade de St Georgen an der Gusen. Lá estavam as fábricas subterrâneas nazistas que tentavam produzir armas nucleares, ou assim pelo menos se pensa, a raiz da radiação que os túneis ainda fechados emitem.


Os trabalhos de escavação da entrada deste complexo ainda estão sendo realizados, toneladas de pedra de granito e terra selaram os túneis. Mas, há outro mistério relacionado a essa fábrica que somente foi encontrada graças a um diário de um médico local. Dentro dos túneis podem estar ainda os corpos de pelo menos 40 mil prisioneiros do campo de concentração que existia perto do local. Estes prisioneiros, se presume, foram enterrados vivos ou executados por gases ou explosivos porque “sabiam de mais”. Quase todos estes prisioneiros eram técnicos e tinham sido selecionados em outros campos por essa razão para trabalhar no mais avançado laboratório subterrâneo nazista. É também esta a razão pela qual não existem testemunhas do que acontecia nesse local e por isso a fábrica ficou em segredo por tanto tempo. O campo de prisioneiros local tinha registrados 90 mil prisioneiros, mas quando os aliados chegaram apenas metade deles ainda estava lá, dos outros nunca se soube o que aconteceu com eles…



Outro misterioso complexo subterrâneo nazista foi achado ao final da guerra na republica Tcheca, no morro de Radobýl ao norte de Praga. Lá existiam três minas chamadas Rei Ricardo e numeradas do 1 ao 3. As duas primeiras eram fábricas de tanques e de componentes eletrônicos da firma Osram. Quando os russos chegaram as exploraram e levaram tudo que puderam de volta para a Rússia, inclusive os técnicos. A Ricardo I continua aberta, a Ricardo II é usada para guardar materiais perigosos, mas a Ricardo III continua fechada desde a segunda guerra mundial e o mistério é maior ainda porque não se sabe se os russos entraram lá e depois a fecharam, o que seria improvável, ou se foram os nazistas que esconderam lá algo que era de muito valor e que não podia cair nas mãos dos russos.

Como no caso do complexo austríaco, aqui se pensa que os nazistas tinham um centro de pesquisa nuclear, inclusive se diz que os nazistas estavam tentando produzir água pesada para uso em armas nucleares, mas é tudo especulação. Outras teorias indicam que podem estar enterrados ali tesouros roubados da Rússia ou até ouro nazista. Mesmo tendo tentado entrar ao complexo Ricardo III, todas as tentativas falharam porque os túneis colapsaram sendo obstruídos por toneladas de rocha. Abrir estes túneis é possível porem extremamente caro.
Se pensa que como estes exemplos, existam outros complexos subterrâneos escondidos e fechados até hoje. Estas fábricas subterrâneas nazistas estão cheias de mistérios e rodeadas de morte.






quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sobre a Magia Enochiana e Crowley



A Magia Enochiana da Golden Dawn está quase totalmente endereçada na Grande Mesa das Quatro Torres de Vigia e nas 48 Chaves ou Invocações, mas Mathers era suficientemente perceptivo para relacionar à Mesa. Trata somente de anjos e espíritos cujos nomes podem ser extraídos das Torres de Vigia por meio de um conjunto específico de regras - não há menção aos espíritos dos Trinta Aethers ou 91 espíritos geográficos que regem as diversas regiões do mundo. Assim, a Magia Enochiana da Golden Dawn é somente uma parte do sistema de magia recebido por Dee e Kelley.
 
A seu crédito, deve-se dizer que Mathers foi capaz de acrescentar, de forma mais ou menos inteligente, muitos detalhes relativos às Torres de Vigia não declarados nitidamente nas conversas angélicas. Na Magia da Golden Dawn, as Torres de Vigia estão explicitamente conectadas as cores, sinais do zodíaco, direções, cartas de Tetragrammaton e elementos ocultos. Essas correspondências possuem imensa utilidade nos rituais práticos que empregam as Torres de Vigia. As Chaves foram relacionadas por Mathers (ou um de seus associados) a diferentes partes da Grande Mesa; e para os espíritos localizados naquelas partes, assim falando, uma Chave em particular em enochiano evoca-se um espírito em particular. 0 sistema de Magia Enochiana usado na Golden Dawn será abertamente abordado em nossos estudos.
 
Um dos jovens membros da Golden Dawn era Aleister Crowley* (1875-1947). Crowley é o mago mais famoso do século XX. Quando era criança, sua mãe (membro da seita fanática "Plymouth Brethren") referia-se a ele como a Besta. Sua jovem mente prendeu-se a essa etiqueta como uma revelação. Em sua autobiografia escreve: "Minha mãe acreditava que eu era na verdade o Anticristo do apocalipse...". "Nunca perdi de vista o fato de que era em um sentido ou outro a Besta 666".
 
A Besta e o Anticristo são confundidos, mas a confusão foi de sua mãe, não de Crowley, que após a recepção do Líber Al Vel Legis – O Livro da Lei, se considerou meramente como um  mensageiro do novo Aeon - O Aeon de Hórus
 
Crowley ansiosamente devorou a magia da Golden Dawn. Era fortemente atraído para a magia desde o seu lado mais obscuro ao mais profundo. Seu mentor na Golden Dawn, Allan Bennett, avisou-o contra essa linha de estudo, mas Crowley não deu atenção. Essa atração ligada a seus hábitos boêmios tomaram-no impopular entre os líderes conservadores da Ordem.
 
Eventualmente, Crowley e a Golden Dawn separaram-se, porém ele continuou a usar os ensinamentos da Golden Dawn pelo resto de sua vida. Mais que qualquer outro aspecto da Magia da Golden Dawn, ele estava fascinado com a linguagem enochiana e as Chaves para as Torres de Vigia. Crowley considerou-se como a própria reencarnação de Edward Kelley compartilhando a capacidade de observação do globo de cristal de Kelley através do seu  uso pessoal do Espelho Mágicko.
 
Enquanto viajava pela da Argélia, em 1909, Crowley invocou os Aethers Enochianos em ordem inversa, a partir do 282 para o primeiro, usando as 19 Chaves para todos eles. A Chave para todos os 30 Aethers é a mesma, exceto para o nome do Aether envolvido. Assim, as últimas 30 chaves são, na verdade, uma única Chave que é aplicada aos 30 Aethers. Previamente, enquanto visitava o México, em 1900, invocou o 13º e o 29º Aether; assim estava meramente assumindo a partir do ponto que tinha parado. Esse método de trabalho empregado por Crowley era similar, em alguns aspectos, ao de Dee e Kelley. Ele encontraria um local particular onde poderia estar sozinho com seu discípulo, Victor Neuberg. Então, recitaria a 19ª Chave com o nome do Aether que procurava invocar inserindo no texto, no local apropriado.
 
Não sabemos se ele utilizou a versão inglesa ou enochiana da Chave. A versão enochiana seria a prática correta, mas em suas “Confissões” fala em "alterar dois nomes" para adequar a Chave a cada Aether. Na versão inglesa, duas palavras podem ser alteradas para cada Aether, mas na versão enochiana, somente uma palavra. Assim, talvez Crowley tenha invocado os Aethers usando a versão inglesa da 19ª Chave.
 
Após sentir a presença do anjo desse Aether, ele fitou um grande topázio colocado em uma cruz de madeira decorada. Descrevendo uma visão na pedra, Neuberg, sentado ao seu lado, escreveu suas palavras em um caderno, apenas como Dee havia registrado as palavras de Kelley há mais de três séculos passados. Esse registro formou o trabalho conhecido como Visão e a Voz.
 
Crowley declarou em sua autobiografia ter feito um Aethyr a cada dia. Parece que ele não empregou as primeiras 18 Chaves enquanto evocava os Aethers. Entendia as 18 Chaves preliminares na forma que foram ensinadas pela Golden Dawn. Descrevendo-as, ele diz que as primeiras duas Chaves relacionavam-se com a quintessência ou espírito elementar, enquanto as próximas 16 relacionam-se aos quatro elementos em subdivisões de quatro. Esta é a base do ensinamento da Golden Dawn, um conceito meramente hermético.
 
Crowley demonstrou uma compreensão forte e intuitiva das Chaves e Torres de Vigia. Teve problemas para reconciliar as diversas interpretações dos Aethers - se eram esferas angélicas concêntricas que estavam além dos limites das quatro Torres de Vigia, ou anjos cujos nomes estão escritos nas Torres de Vigia, ou meramente nomes para as diversas regiões geográficas na superfície da Terra. Essa confusão é compreensível, pois em nenhum momento Dee escreveu algo para esclarecer a questão. Crowley escolheu considerar os Éteres, no primeiro e mais místico sentido. Descreveu as Torres de Vigia como "compondo um quadrante de magnitude infinita". Isso está acima do entendimento normal.
 
Crowley abriu os portais definitivamente. A magia enochiana foi entregue pelos anjos para atuar como um catalisador para a Magia Apocalíptica – ou seja – elevar o grau de elevação do ser humano preparando-o para o próximo estágio ou dimensão. Por favor, não entendam nada do que aqui é dito como o “fim dos tempos”, muito pelo contrário, como uma fórmula extremamente dinâmica de Assunção Espiritual, através do emprego desse sistema mágicko, ou para os incautos e despreparados magos negros e feiticeiros o fatídico fim num manicômio. Após deixar a Golden Dawn, Crowley criou seu próprio mito oculto. Tornou-se o “Magus” do crepúsculo do Aeon de Hórus, que começava em abril de 1904, com sua recepção inspirada do Líber Al Vel Legis, ditado por seu anjo da guarda, Aiwass.
 
0 anjo da guarda de Crowley atraiu-o para um papel similar àquele forçado a John Dee pelos anjos enochianos. Crowley era tanto o escritor sagrado como o profeta para o deus Ra-Hoor-Khuit (Hórus).
 
Sua instrução era registrar os dizeres do deus e divulgar sua mensagem pelo mundo, com o Livro da Lei:
 
Agora vós sabereis que o sacerdote & apóstolo escolhido do espaço infinito é o sacerdote-príncipe, a Besta; e em sua mulher, chamada a Mulher Escarlate, está todo o poder dado. Eles reunirão minhas crianças em seu cercado: eles levarão a glória das estrelas para os corações dos homens.” (Líber Al - I, 15)
 
0 Aeon de Hórus pode ser entendido, em sentido geral, como similar à idade astrológica de Aquário. Muitas culturas da Antigüidade dividem o tempo em uma série repetida de idades, cada idade com suas características únicas definidas. Por exemplo, no sistema da Qabalah, estamos atualmente vivendo na Era de Geburah, caracterizada pelo rigor e guerra. A próxima será a Era de Tiphareth, um tempo de harmonia e paz. No mito pessoal de Crowley, o crepúsculo do Aeon de Hórus substituiu o antigo Aeon de Osíris, o deus egípcio do sacrifício, da morte e ressurreição que a Igreja Romana buscou para relacionar ao mito de  Jesus Cristo.
 
Existem alguns paralelos entre o Livro da Lei inspirado pelos anjos de Crowley, e a Chave dos Trinta Aethers de Dee. No Livro da Lei está escrito: "Nós nada temos com o proscrito e com o incapaz: que eles morram em sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é o vício dos reis: pisa sobre o desgraçado & o fraco: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo." (Líber Al II, 21)
 
Na Chave dos Trinta Éteres aparecem as palavras: “Governe aqueles que governam; subjugue tal como caem; crie com aquele que aumenta e destrói o desonesto.” Ambas as passagens se referem aos efeitos do Karma, da causa e do efeito do mundo natural. Em outro local no Livro da Lei está escrito: "Sim! não acrediteis em mudanças: vós sereis como vós sois, & não outro. Portanto, os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão. Ninguém há que será derrubado ou levantado: tudo é sempre como foi". (Líber Al II, 58)
 
0 Aeon de Hórus é de disputa e guerra, como o tempo do apocalipse é tempo de destruição do ego inferior do homem. Na Chave dos Trinta Aethers está escrito: "Deixe as criaturas razoáveis da Terra (ou homens) atormentarem-se e extirparem-se mutuamente; e deixe-os esquecer os nomes dos locais de habitação; deixe o trabalho do homem e sua pompa serem desfigurados."
 
Em enochiano, a palavra Babalon significa "perverso" e a palavra “babalond” significa "prostituta" - desse modo, a alteração na grafia da palavra, embora Crowley justificasse isso em bases numéricas.
 
Existe uma referência direta no Livro da Lei às Chaves Enochianas sugeridas em dois lugares:
 
"Há quatro portões para um palácio; o chão desse palácio é de prata e ouro; lápis lazuli & jaspe estão lá; e todos os aromas raros; jasmim & rosa, e os emblemas da morte. Que ele entre por partes ou de uma só vez nos quatro portões; que ele fique de pé sobre o chão do palácio."(Líber Al I, 51).  Isso pode ser interpretado como uma referência à Grande Mesa das Torres de Vigia, que possui quatro lados e tem quatro partes.
 
Em Líber Al III, 47 está escrito: "Este livro será traduzido para todas as línguas: mas sempre com o original na escrita da Besta; pois na forma ao acaso de suas letras e suas posições umas com as outras: nisto há mistérios que nenhuma Besta adivinhará. Que ele não procure tentar: mas virá um após ele, de onde Eu não digo, que descobrirá a Chave de tudo. Então, esta linha traçada é uma chave: então este círculo esquartejado em sua falha é uma chave também."
 
Assim percebemos claramente uma ligação entre o Liber Al e a Magia Enochiana, bem como às Chaves Enochianas.
 
Atualmente muitos grupos modernos que praticam a forma de ritual de magia sobrevinda da Golden Dawn (diretamente ou por meio de Crowley) usando extensivamente a magia enochiana.
 
Uma única observação particular deve ser feita a respeito da Society O.T.O. Brasil, como uma organização dedicada não só ao estabelecimento da Lei de Thélema bem como à filosofia e magia herméticas, nossos ensinamentos incluem a Grande Mesa das Torres de Vigia, as Chaves e os espíritos dos 30 Aethers.
Nas últimas décadas, a magia enochiana experimentou outro período de apogeu. De forma crescente os escritos de Dee estão encontrando seu caminho entre os livros populares de magia cerimonial mas sempre de forma fragmentada e incompleta.
 
O processo de aprendizado do Sistema Enochiano deve ser lento e meticuloso, pois trata-se das comunicações enochianas completas, com as diversas passagens em latim traduzidas para o português, de forma a ser utilizado pelo magista sério e pesquisador o material, que está completo de modo a apresentar uma visão geral da magia enochiana e permitir que esta seja usada para fins práticos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Falxifer, O Ceifador da Mão Esquerda


Dentro da história da Humanidade, um dos acontecimentos mais antropomorfizados e cultuado foi a própria Morte. Tal culto se manifestou na história humana sob diversas máscaras diferentes, como o culto a Exu Caveira no Brasil, Baron Samedi no Haiti, Santíssima Murte no México e San La Muerte na Argentina.
Foi através do profundo estudo destes cultos ao mistério da humanidade que o Templum Falcis Cruentis codificou e desenvolveu o culto ao Falxifer, relacionando os aspectos magísticos e esotéricos deste culto com a demonologia e com o Satanismo, dando origem a corrente do Lord da Morte, Qayin Coronatus.
Assim como os espíritos de Exus, San La Muerte passou a ser visto como um “senhor dos caminhos”, uma entidade a quem se pede ajuda e proteção contra uma morte ruim. Os sincretismos realizados com cultos africanos, onde a presença do mistério da morte é constante e tem peso importante fizeram com que as oferendas concedidas a Exu Morte, Caveira, Calunga entre outros, também fossem utilizadas a San La Muerte. Essas oferendas normalmente consistem em incensos de patchuli, carne de porco mal passada e sem sal, bebidas alcoólicas e velas pretas e vermelhas, bem como charutos.

O culto mais associado à demonologia e foco do estudo do TFC em sua publicação, o livro “Liber Falxifer” foi o culto argentino a morte, correspondente a San La Muerte. Este culto diverge-se em seu cunho exotérico, aberto ao público e divulgado em meio a região e o culto esotérico, fechado apenas a aqueles iniciados na gnose da Morte. A associação deste culto argentino com a magia, quando aprofundado de modo exotérico, trazia à luz a identidade de San La Muerte como Azrael, anjo demiurgico responsável pelo desencarne. Já o aprofundamento esotérico da Mão Esquerda em relação a este culto, nos leva a um caminho muito mais sombrio e com muito mais profunda interpretação.


O caminho da Mão Esquerda atribui ao Ceifador a identidade de Caim/Qayin, primeiro ser a derramar sangue humano, conforme narra a mitologia judaica (não apenas bíblica, mas também as tradições orais e apócrifos). Estes textos apócrifos citam que Qayin não seria filho legítimo de Adão, mas fruto da relação entre Eva e a Serpente, uma manifestação da Chama Negra pela primeira vez presente no homem.
Segundo a tradição folclórica, Qayin, ao ter sua oferenda recusada por IHWH enquanto Abel, seu irmão era elogiado, decide matá-lo. E para isso ele utiliza seu instrumento de colheita, provavelmente feito de um osso curvo de animal, uma forma de foice primitiva. Desta forma, o espírito da Chama Negra presente em Qayin destrói Abel, o corpo de barro, transcendendo os limites do Causal. Como primeiro assassino, ao enterrar seu irmão, ele se torna também o primeiro coveiro e Senhor da Primeira Sepultura.
Ao enterrar seu irmão, os deuses ctônicos acausais aceitam sua oferenda sangrenta. Diz-se que no local onde Abel foi enterrado, uma roseira escarlate brotou, sendo essas as flores sagradas a Qayin e no culto a San La Muerte.

A linhagem de Qayin ben Samael (Qayin,filho de Samael) manteve-se ao longo das histórias, passando por Nahemah (A adorável) e por Tubal-Caim, ferreiro de armas de caça e guerra, sendo a base da humanidade. Essa fundamentação explicita que existe uma elite de seres humanos descendes do Falxifer, do portador da foice e grande iniciador – e todos nós portamos em nosso interior a Chama Negra, dependendo de nossa própria escolha despertá-la e portá-la orgulhosamente, ou reprimi-la e nos manter como os outros cordeiros de argila.
Ainda segundo esta tradição, Qayin, após ser morto por seus descendentes (que o confundiram com um animal em meio a mata), recebe a transição da carne para o Caos como um portal para o próprio Sitra Ahra, assentando assim em seu trono, e se tornando Baaltzelmoth (Senhor da Sombra da Morte).
Dentro deste cunho exotérico, San La Muerte/ Qayin Rex Mortiis é coroado não apenas como o senhor dos caminhos, mas também como um iniciador na senda da Mão Esquerda. Mais que um protetor, o portador do ensinamento e da iluminação provenientes da Morte e um detentor dos segredos da Alquimia de Saturno.



Qayin é a porta da Necrosophia e da Necromancia, ciências proibidas e pesadas até mesmo dentro dos aspectos da Mão Esquerda. O batismo de Falxifer vem da palavra latina Falcifer, cujo significado é “portador da foice”. O nome foi modificado de acordo com a gnose cainita, diferenciando assim o culto do TFC dos outros cultos exotéricos a San La Muerte. O “X” dentro desta gnose nos traz alusão a própria Marca de Caim, e também a seu título de guardião da cruz dos mortos, senhor da encruzilhada da Morte.



 Malachi Azi Dahaka