quarta-feira, 25 de setembro de 2013

HellFire Club

Club do fogo Infernal

Ao contrário do que geralmente se pensa, o poder repressivo da Igreja não era, em absoluto, algo generalizado, ao contrário, funcionava, em grande medida, em função da origem social, qie oprimia com mais força as classes baixas e médias, ao passo que na aristocracia desfrutava de privilégios impensáveis para o povo simples.

No ínicio do séc. XVIII, uma pessoa de boa familia podia ser moderadamente livre-pensadora e levar uma conduta abertamente libertina sem que tivesse de temer grande coisa das autoridades civis e eclesiásticas, Claro que, como sempre, a Espanha era a exceção a esta regra, a pressão da igreja permaneceu ativa e inapelável até a invasão napoleônica, além de ser uam força social de primeira ordem até os últimos anos do regime do general Franco.

Em outras regiões mais afortunadas, grupos de jovens endinheirados fundaram clubes especificamente instaurados para celebração da blasfêmia e práticas satânicas, de modo geral, bares ocultos onde podiam reivindicar seus atos reprimidos, como o sexo, as drogas e a bebedeira, eram chamados de "Clubes do fogo infernal" (Hellfire Club).




O Clube do Inferno foi um clube privado freqüentado pela elite inglesa do século XVIII. Foi em sua época mais ilustre presidido por Sir Francis Dashwood. Presume-se que suas reuniões se constituíam de pródigas bebedeiras e orgias sexuais e, segundo crenças populares com menos fundamento, cultos satânicos e rituais de magia negra. Os encontros do Clube do Inferno eram realizados na Abadia de Medmenham, à margem do rio Tâmisa.


O Clube do Fogo do Inferno foi fundado ali pelo ano de 1719, pelo controverso Philip, Duque de Wharton (1698-1731), um aristocrata, um proeminente político Whig e maçom emérito, pois foi o sexto Grão-Mestre da Grande Loja de Londres na molecagem dos seus 22 anos. O Duque de Wharton oscilava nos primórdios de sua vida, entre um ateísmo que ridiculariza a religião, passando por uma fase deísta na maçonaria e morrendo aos 33 anos, convertido ao catolicismo, num convento franciscano na Espanha. Na sua juventude, presidia reuniões festivas com vestes satânicas numa taverna perto da Praça St. James em Londres.




Passagem no interior da "falsa igreja"
O Clube do Inferno foi uma espécie de revival de um clube que existira previamente, na década de 1720, e sua primeira reunião realizou-se na sede desse clube, na Lombard Street, em Londres. Na inauguração, a associação contava com apenas doze membros, mas cresceu rapidamente. A identidade de apenas sete dos doze membros originais foi confirmada: Francis Dashwood, Robert Vansittart, William Hogarth, Thomas Potter, Francis Duffield, Edward Thompson e Paul Whitehead. Especula-se que outras figuras ilustres participaram do clube e, embora não um membro oficial, Benjamin Franklin compareceu a reuniões do Clube.




 Formações posteriores contariam com mais de cem membros, entre nobres, burgueses e intelectuais.
Apesar do nome Clube do Inferno ter tido maior difusão, os membros costumavam chamá-lo por outros nomes, a maioria sátiras de nomes de confrarias religiosas, como Ordem dos Cavaleiros de West Wycombe, Irmandade de Saint Wycombe e os Monges de Medmenham. Os membros chamavam Sir Dashwood de Abade e uns aos outros de Irmãos; as companhias femininas eram chamadas de freiras.




Fonte: 
Livro- Histórias ocultas do Satanismo

terça-feira, 24 de setembro de 2013

FANTASMAGORIA - ANTIGA ARTE DA ILUSÃO

O NASCIMENTOS DOS FANTASMAS

A Revolução Francesa, com suas muitas mortes, guilhoitinas e demais atrocidades, foram o cenário perfeito para a geração dessas sensações macabras. E o interesse do público pelo macabro inerente à Revolução, incentivou grandemente a execução desses shows de fantasmas.
Tudo começa no auge da Revolução Francesa, quando chega em Paris o físico belga Étienne-Gaspard Robert (1763-1837), mais conhecido como Robertson, e que teve uma engenhosa ideia: a produção de fantasmas ópticos.


Étienne-Gaspard Robert
O porém é que já haviam alguns fabricantes de fantasma em Paris como Cagliostro e Mesmer. Porém o diferencial de Robertson, além de ser um estrangeiro desconhecido, era que ele, de fato, era um entendido na ciência e na óptica, além de se proclamar um possuídor de poderes ocultos.
Alguns historiadores afirmam que Robertson era, na verdade, um plagiador. Ele haveria se apossado da ideia de um alemão chamado Paul Philidor ou Philipsthal, que havia apresnetado um espetáculo de fantasmagoria em Paris poucos dias antes da morte do Rei Luís XV. Além disso, Philip era dono de um museu de curiosidades sobre ótica, mecânica e automatos. verdade ou não, o fato é que o show de Robertson era uma vedadeira experiência sobrenatural.




Étienne, que ao menos sabia se promover, inundou Paris com cartazes propagandeando a si próprio. Tamanho foi o sucesso de sua divulgação que o lugar marcado para a sua apresentação, um pequeno teatro de 70 lugares, ficou sem espaço para o tanto de pessoas que compareceram.


Cartazes anunciando shows de fantasmagoria

O SHOW 

Poultier, um repórter local, escreveu acerca daquele espetáculo. Nesta nota Poultier conta que o belga colocava em um braseiro em chamas dois vasos cheios de sangue, algumas substâncias químicas e algumas folhas do periódico “Jornal dos Homens Livres” (um jornal republicano da época) fazendo aparecer por entre a fumaça produzida um horrível fantasma coberto por uma capa vermelha, representando a liberdade segundo consta, e armado com um punhal, para logo desaparecer, tão misteriosamente quanto apareceu.

 
Fantasmas aparecendo por cima do público. Repare nos braseiros gerando a fumaça por onde aparecem os fantasmas.


A seguir um jovem da plateia se levanta e solicita ver o fantasma de sua amada já falecida; o jovem então mostra um retrato dela para Robertson. O físico repete outra vez a operação no brazeiro e eis que surge o busta da jovem, com seus cabelos fluuando no ar e sorrindo para o seu amado.

A notícia toda é bastante extensa. Mas o exposto aqui já é o bastante para imaginarmos o tamanho do impacto que esta notícia deve ter causado nos leitores da época.


Como já foi dito, o lugar marcado para as apresentações era deveras pequeno para o sucesso de Robertson que logo conseguiu mudar-se junto com seus fantasmas e seus aparatos para um lugar mais amplo e, por acaso do destino, um lugar com “espírito” para tais apresentações: um velho e abandonado convento capuchinho, próximo à Praça de la Vendome, em Paris. Esta nova locação foi a grande alavanca no marketing de suas apresentações.


Os espectadores que chegavam eram conduzidos através de corredores escuros rodeados de antigas tumbas e lápides mortuárias. O cenário não podería ser mais perfeito. Era um grande show de imagens e sensações.


 Se as projeções por si só, já aterrorizavam a audiência, o ambiente tétrico as pontecializavam ainda mais. A isso, ainda foram acrescentados sons ambinetes de trovões, sinos, correntes e outros sons dessa linha.
E o terror não parava por aí. Alguns ajudantes caminhavam entre as trevas da cripta, com lanternas presas em seus corpos, o que produzia outros efeitos sobrenaturais, como o de espíritos, ou fantasmas caminhando e cercando ao público.  Alguns dos espectadores nem se atreviam a olhar as projeções. Outros tantos acabavam por sair do teatro correndo, tamanho era o medo incutido pela fantasmagoria de Robertson.
Se levarmos em conta que, ainda hoje, viramos a cara em certas cenas de terror, e consideranod ainda que para aquelas pessoas, a fantasmagoria era o equivalente ao nosso cinema, podemos vislumbrar, ainda que em parte, o tamanho do espanto e do medo, causado por tais espetáculos.



FONTES

Texto base:

Mais imagens e textos complementares:

Occultos Libertum

Ocultismo



A capacidade humana de questionar-se é uma de suas maiores virtudes ao longo da história. O simples ato de buscar o auto-conhecimento, compreender a própria origem e um significado supremo da existência na Terra, conduziu o destino de civilizações, desenvolveu conceitos que se estenderam por vários séculos e gerou um infinito e crescente ciclo ideológico.

A espiritualidade é o combustível desta incessante busca. É quem santifica o homem e consagra a terra. É quem desenvolve o conhecimento e o direciona ao próprio benefício. É neste momento que nasce o conceito de um deus responsável pela criação do universo, de forças e seres superiores que conduzem a existência humana. A fé, oriunda no espírito humano, e o dogma, são as principais colunas que sustentam as religiões e doutrinas espalhadas ao longo do globo terrestre.




Se toda religião é formada basicamente de fé e misticismo, podemos compreender que religião e ocultismo estão interconectados. Dessa forma, concluímos que ocultismo é o conhecimento secreto das religiões, que pode ser acessível apenas aos membros mais elevados na hierarquia de determinadas ordens.
Na sociedade contemporânea, ocultismo também designa temas sobrenaturais, e até certo ponto, supersticiosos, que não tenham um caráter religioso formal, mas que estejam relacionados às filosofias e doutrinas. A religião e o ocultismo também são responsáveis por criar grupos sociais que podem estar associados a manifestações culturais e políticas, por exemplo.
Não existem bases confiáveis para se estabelecer um ponto de partida comum das crenças. Mas pode ser na cultura dos babilônios e egípcios do período pré-cristão, que está a raiz do ocultismo ocidental. Os deuses e religiões desta época se desenvolveram ao longo das eras, sofreram transformações agregando em si diversos elementos de outras culturas, emergindo novos conceitos e ressurgindo velhas crenças.



Ao longo dos tempos, a humanidade divinizou alguns de seus filhos, que se tornaram profetas e imortais no coração e na crença de tantos outros. O homem sagrou terras, erigiu templos e monumentos, louvou a vida e entoou cânticos em nome de suas divindades e da própria fé. Mas a fé combinada com a vaidade e a ganância promoveu guerras, escravizou, segregou e retardou a evolução do espírito.





Na Cultura Obscura não há apologia à nenhuma crença ou religião. Porém, há, após tantas divagações e suposições, a certeza de que a consciência coletiva caminha em busca do conhecimento e da elevação espiritual, utilizando-se da capacidade de crer e ao mesmo tempo questionar, intrínsecas à alma humana.





Fonte: http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo.htm

 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

OS VIVOS E OS MORTOS NA SOCIEDADE MEDIEVAL!


Fantasmas na história


Uma análise histórica sobre a crença em fantasmas no período medieval da europa. com base na obra de jean-claude schmitt que trata sobre as relações entre os vivos e os mortos daquele período.


A morte e os mortos constituem universalmente uma parte importante das crenças religiosas e do imaginário social sobre este tema, embora cada sociedade tenha a sua representação própria do além e daqueles que se foram, ou seja, o destino que os aguarda, que sempre povoou as mentalidades dos homens de antanho.

Estas aparições fantasmagóricas concebem uma interpretação sobre as viagens do mundo dos mortos e suas visitas ao mundo dos vivos, que normalmente, os vivos que os vê são antigos conhecidos ainda em vida. O objetivo deste é revelar aos vivos a geografia dos lugares do mundo dos mortos, lugares estes que habitavam o imaginário medieval do Ocidente.Com os relatos sobre fantasmas o historiador é de pronto imerso nos detalhes deste imaginário cristão da Idade Média, trava-se analises com os cruzamentos confusos de caminhos de relações sociais tomadas entre os viventes e os recém mortos que os visitam. Estes relatos de fantasmas focalizam toda a atenção na condição do, então, falecido, que descreve aos viventes a sua situação, muitas vezes, nestas crônicas a existência do fantasma ou espíritos se dá em virtude do decurso do “rito de passagem”, ou seja, a aplicação ou não dos ritos fúnebres. Pode ser citado como exemplo um corpo desaparecido de um afogado que não ganhou sepultura, vítimas de assassinato, suicidas, morte de uma parturiente ou mesmo um natimorto.Pode ser observado desta forma uma herança, ou o peso desta, na sociedade medieval que encontra as reminiscências culturais greco-romanas ou heranças dos bárbaros. Visto que o Cristianismo rejeitou em um primeiro momento o culto dos mortos, como é apresentado em toda a iconografia sobre a Idade Média e suas mentalidades, que permeou muitas épocas. Nos Sécs. V e VI muitos dos rituais pagãos foram cristianizados tendo desta forma uma espécie de “morte domesticada”. Em outras palavras pode se observar que o modus vivendi do homem medieval estava articulado nesta dinâmica entre a idéia de salvação, sufrágio, dos mortos e os seus laços com os vivos de uma sociedade que vivenciava o visível e o invisível com intensidade e normalidade.




Muitas vezes as aparições se davam para transformar a Igreja Católica e legitimar um processo político em andamento, assim como relatava o mundo dos mortos e sua atual situação ou até mesmo anunciar uma morte ou transformação social.

Sendo assim pode ser afirmado que “vivemos em prol dos mortos mais do que dos vivos” e que desta forma as reminiscências de outrora transpassam o tempo e influenciam o agora, principalmente no Culto dos Mortos.



Referências:

SCHIMITT, Jean-Claude, Os Vivos e os Mortos na Sociedade Medieval - Companhia das Letras - São Paulo - S.P.




Todas as sociedades sempre souberam que o destino humano é a morte, e, por isso, quase todas tentaram imaginar os lugares habitados por seus mortos. Estudando a Idade Média, o autor mostra que os fantasmas são um produto social, ideológico, religioso e cultural que cria vínculos não só entre o passado e o presente - pois é no presente que os mortos renascem entre os vivos -, mas também com o futuro - pois este é o tempo que faz de todos os homens fantasmas em potencial.







Sobre o Autor:

Nasceu em Colmar, na França, em 1947. É professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris) e um dos mais importantes historiadores de sua geração, autor de inúmeros artigos e dos livros Le saint Lévrier (1979) e La raison des gestes dans l'Occident médiéval (1990).








quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Galvanizing Aldini (A arte da Eletrecidade em corpos humanos)



Entre as inspirações para o clássico gótico ´Frankenstein´ de Mary Chelley de 1818 estão os infames experimentos realizados em público pelo físico Giovanni Aldini (1762-1834) no Royal College of Surgeons em 1803.


Aldini foi o sobrinho do fisiologista italiano Luigi Galvani que realizou experimentos com pernas de rãs no final do século 18 e percebeu que os músculos se contraiam com a passagem de uma corrente elétrica (ele pensou ter descoberto uma singular ´eletricidade animal´). Provocando contração dos músculos pela aplicação de eletricidade vinda do que hoje se conhece como galvanismo [e galvanizar tem um sentido um pouco mais amplo]. Aldini ajudou no trabalho do tio e mais tarde promoveu o princípio em seus próprios experimentos e publicações.

“Em janeiro de 1803, o corpo do assassino George Forster foi retirado da forca da prisão Newgate em Londres e levado ao Royal College of Surgeons. Lá, diante de uma audiência de doutores e caçadores de curiosidades, Giovanni Aldini, sobrinho do falecido Luigi Galvani, preparou o retorno do corpo à vida.
Ao menos, era o que alguns espectadores pensaram testemunhar. Quando Aldini aplicou os bastões condutores, conectados a uma grande bateria, à face de Forster, “a mandíbula começou a tremer, e os músculos p´roximos foram horrivelmente contorcidos, e o olho esquerdo abriu.” O ápice da performance veio quando Aldini colocou a sonda no reto de Forster, resultando em um punho cerrado socando o ar, como em fúria, sua perna chutando e suas costas arqueando violentamente.” [leia mais no The Gardian]




Estes experimentos com eletricidade em humanos e animais foram descritos por Aldini em seu (agora raro) livro em 1804 ‘Essai Théorique et Expérimental sur le Galvanisme‘ do qual as ilustrações acima foram retiradas. Este trabalho também é notável por descrever pela primeira vez como agulhas de aço pode ser magnetizadas com uma corrente, bem como a exploração da velocidade da eletricidade através da água, sobre peixes elétricos e condutividade de chamas.
O trabalho em eletricidade de Aldini não se restringia a tentativas de reanimar corpos de humanos e animais. Antes de show em Londres, Aldini teve algum sucesso em tratamento hospitalar de pacientes que sofriam de ´melancolia´ pela aplicação de um forte choque elétrico – este foi o primeiro registro de terapia eletroconvulsiva, que em grande parte foi usada (com discutível mas aparente sucesso) até os tempos modernos em certos casos de depressão.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cadáver , o plastificador de corpos!


O alemão Gunther von Hagens fala da sua exposição de cadáveres dissecados que vem chocando platéias do mundo inteiro.



Em 1977, Gunther von Hagens criou um método inovador de preservação dos corpos que mudaria para sempre sua vida profissional. Sua técnica começa com o congelamento imediato do cadáver e a substituição de todos os seus fluidos por acetona. Depois, a acetona é drenada e substituída por polímeros (materiais compostos de grupos de moléculas que se repetem em cadeia). O resultado é uma verdadeira aula de anatomia que faz parte da exposição Body Worlds (Mundo de corpos), que fica na Atlantis Gallery, em Londres, Grã-Bretanha, até o final de setembro – ainda sem previsão para chegar ao Brasil.
Ao expor cadáveres sem pele como o de uma mulher grávida com o feto exposto, Hagens vem despertando reações mistas de revolta e admiração. Em Londres, um visitante indignado chegou a usar um martelo para destruir um dos cadáveres. Em compensação, cerca de 4000 visitantes assinaram um documento com a intenção de doar os seus corpos para que, no futuro, eles sejam usados em exposições semelhantes. “Apesar de ser uma espécie de escultor, não me considero um artista”, diz Hagens. “Minha idéia é apenas mostrar esqueletos, músculos e outros detalhes da anatomia de uma forma agradável.”



Entrevista com o artista:

Quando você começou a se interessar por cadáveres?
Aos seis anos de idade, passei sete meses dentro de um hospital. Sofro de hemofilia e me lembro de que, na época, mesmo estando em coma, escutava as pessoas conversando sobre as minhas chances de sobrevivência. Foi a primeira vez que estive próximo da morte. Logo depois, fui a uma exposição de esculturas e decidi me tornar um escultor. Fiquei com essa idéia na cabeça por um bom tempo. Aos dez anos, vi um bezerro natimorto na fazenda do meu tio e lhe pedi que me deixasse dissecar o animal. Ele não deixou, mas me deu o coração do bezerro e eu fiquei tentando entender como ele funcionava. Quando completei 16 anos, larguei a escola por não estar tirando boas notas e fui trabalhar em um hospital, como ascensorista. No mesmo hospital, virei telefonista, ajudante de escritório e assistente de enfermeiro. Como morria alguém a cada semana, acabei acompanhando uma autópsia e fiquei completamente fascinado. Cheguei a levar escondido um cérebro para minha casa para estudá-lo e desenhá-lo. O curioso é que, hoje, o meu trabalho está bem próximo da minha idéia original de ser um escultor.

E por que o senhor não se considera um artista?
Nunca estudei arte e não preciso da criatividade de um artista para fazer o que faço. Não considero os corpos expostos obras de arte. Sou uma espécie de inventor, um artesão.


Mas boa parte da crítica e do público chama o seu trabalho de arte...
Encaro isso como um elogio. Mas acho que é tudo fruto da sensação que as pessoas têm quando olham pela primeira vez partes desconhecidas da sua própria anatomia. É importante lembrar que eu não mudo nada nos corpos. Não faço os corpos mais bonitos. Eu apenas os conservo de uma maneira diferente.

Mas o senhor busca poses estéticas para exibir os corpos.
Isso é muito interessante. No Japão, quando montamos a primeira exibição, passamos semanas discutindo a melhor maneira de expor os corpos. Começamos colocando-os no chão, como se estivessem deitados. Mas as pessoas reclamavam e pareciam não gostar muito. Quando coloquei os corpos em posições que davam uma sensação de vida, movimento, duas coisas surpreendentes aconteceram: a exposição começou a lotar e eu passei a ser considerado um artista.


E como o senhor define em que posição cada corpo deve ser exposto?
Assim como os renascentistas, minha preocupação é expor um corpo de uma maneira que revele os detalhes da sua anatomia. Minha idéia é mostrar o esqueleto, os músculos e outros detalhes do corpo de uma forma agradável. A estrutura dos ossos, por exemplo, tem uma beleza típica de uma obra de engenharia. As poses são definidas em função dessa estrutura, não por um impulso artístico. Cada corpo exposto tem um vale anatômico, não estético.

E não é exatamente isso que parece incomodar tanto as pessoas?
É claro que tenho o desejo de atrair o maior número de visitantes, mas a minha intenção é dignificar o corpo e não desrespeitá-lo. Não troco, por exemplo, o pênis por algo sarcástico nem apelo para outros artifícios.


Mesmo assim, a exposição enfrenta protestos em todo lugar por onde passa...
É verdade. Na Alemanha, por exemplo, sofremos as mais diversas reações. Em Manheim, os líderes da igreja local tentaram fechar a exibição argumentando que o que faço “não é digno para os corpos”. Em Colônia, a igreja escreveu artigos pedindo para os fiéis não visitarem a exposição. O resultado foi um público de três milhões de pessoas. Já em Oberhausen, um padre decidiu ver a mostra antes de criticá-la. No meio da exposição, ele ouviu uma mulher que, espantada com o tamanho de um feto de três semanas, disse a uma amiga grávida: “Nossa, é isso que já está na sua barriga. Dá até para ver o pezinho dele. Você devia pensar melhor antes de abortar”. Depois desse diálogo, ele acabou achando a mostra educativa.

Como a maioria das pessoas costuma reagir?
Alguns adoram, outros sentem repulsa. Curiosamente, alguns estudantes de medicina ficam revoltados. O engraçado é que, durante o curso de medicina, se você dá um fígado ou um rim para eles estudarem, eles não se incomodam. Já quando se trata de olhar de frente para um corpo inteiro, o cadáver ganha um status humano e alguns deles não se sentem muito bem.


O que você espera que o público aprenda com o seu trabalho?
Fico satisfeito quando o visitante passa duas horas vendo os detalhes do esqueleto, dos músculos, dos órgãos. A exposição é uma grande oportunidade para que qualquer pessoa possa ver, em pouco tempo, o que um estudante de medicina levaria seis meses ou mais para aprender.

Essa exibição também mostra um corpo dissecado de um coelho e de um cavalo. O senhor planeja dissecar algum outro animal?
Sim. Recentemente trabalhei com o corpo de um camelo e o de um gorila. Agora estou à procura de algo maior, um elefante, quem sabe.

Você teria algum problema se alguém da sua família quiser passar pelo mesmo processo de conservação do corpo?
De jeito nenhum. Aliás, todos eles já autorizaram. Meu pai, minha mulher, meu filho, todos vão passar pelo mesmo processo. Eu até já fiz isso com o corpo do meu melhor amigo...


E não foi estranho?
Foi. Acabei percebendo que é verdade quando dizem que um cirurgião não pode operar alguém da sua família. Nessa época, tive pesadelos terríveis. Nos meus sonhos, a mão do meu amigo tentava me puxar para a morte com ele. Isso atrapalhou muito o meu trabalho e decidi que, quando um membro da minha família morrer, vou passar a tarefa para a minha equipe.

E o que ainda choca o senhor?
Ainda me choco quando corto o pulmão de um fumante. O barulho é terrível. A textura é completamente diferente da de um pulmão normal. Parece que estou cortando areia. E o pior é ver que as pessoas continuam fumando. O atentado terrorista nos Estados Unidos me chocou muito. Mas também me deu uma idéia. Pretendo fazer uma exposição que explique o que um ser humano pode fazer numa situação de emergência, como a do ataque às duas torres do World Trade Center.



 

 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Vampirismo!




A palavra Vampiro surgiu por volta do século XVIII. Tem origem no idioma sérvio como Vampir, e sua forma básica é invariável nos idiomas tcheco, russo, búlgaro e húngaro.
Lendas oriundas da Eslováquia e da Hungria, estabelecem que a alma de um suicida deixava seu sepulcro durante as noites para atacar os humanos, sugava o sangue e retornava como morcego para o túmulo, antes do nascer do sol. Assim, suas vítimas também tornavam-se vampiros após a morte. As civilizações da Assíria e Babilônia, também registram lendas sobre criaturas que sugavam sangue de seres humanos e animais de grande porte. Outros mitos pregam que as pessoas que morrem excomungadas, tornam-se mortos-vivos vagando pela noite e alimentando-se de sangue, até que os sacramentos da Igreja os libertem. Crianças não-batizadas, e o sétimo filho de um sétimo filho também se tornariam vampiros. 

O lendário Livro de Nod, originalmente concebido por White-Wolf para o RPG Vampiro - A Máscara, narra a origem dos vampiros. Além de A Crônica das Sombras revelando os ensinamentos ocultos de Caim; e A Crônica dos Segredos que revela os mistérios vampíricos.
A tradição judaico-cristã, prega a origem dos vampiros associada aos personagens bíblicos Caim e Abel. Como é descrito, Caim foi amaldiçoado por Deus pelo assassinato de seu irmão, Abel. Os Anjos do Criador foram até ele exigir que se redimisse. Orgulhoso, recusou-se e acatou as punições impostas pelos Anjos. A partir deste momento, Caim via-se condenado a solidão e vida eterna, temendo o fogo e a luz, longe do convívio dos mortais. 


Caim foi anistiado por Deus após sofrer durante uma era inteira. De volta ao mundo terreno dos homens, fundou e fez-se rei da primeira cidade chamada Enoque. Mas ainda temia a luz, o fogo, e a solidão da eternidade.
Passado-se muitos anos de prosperidade em Enoque, Caim ainda sentia-se só devido a sua imortalidade. Abatido e desmotivado, acabou por cometer outro grande erro: gerou três filhos, que posteriormente geraram outros. Seguiram-se tempos de paz até que chegou o grande dilúvio e lavou toda a Terra. Na cidade de Enoque, sobreviveram apenas Caim, seus filhos, netos e uns poucos mortais. Caim recusou-se a reconstruir a cidade, pois considerava o dilúvio um castigo divino por ter subvertido as leis naturais e gerado seres amaldiçoados como ele. Assim, sua prole reergueu Enoque e assumiu o poder perante os mortais.
Após um período de paz e prosperidade, os sucessores de Caim passaram a travar batalhas entre si. A autoridade dos governantes foi revogada, e tanto os mortais como os membros da prole sentiam-se livres para fundar outras cidades e tornar seu próprio rei. Dessa forma, os imortais ascendentes de Caim, espalharam-se por toda a Terra.
Nesta versão da origem dos vampiros, vimos que tudo teve início com uma maldição divina atribuída a Caim, e depois herdada por sua prole. Porém, torna-se muito difícil estabelecer um limite entre os fatos e as lendas que circundam o mito vampírico, já que boa parte destas informações confunde-se entre os relatos e pesquisas históricas coerentes, com a ficção dos filmes e RPG’s.
Na lenda de Caim, a conotação do termo Vampiro ainda está ligada apenas ao sentido de imortalidade, solidão e aversão a luz. A relação estabelecida entre a longevidade e a sede pelo sangue (que caracteriza a imagem mais comum dos vampiros), deve-se possivelmente, a personagens lendários que viviam anos incalculáveis alimentando-se de sangue humano, após terem firmado supostos pactos com entidades malignas. Outras versões são encontradas em diferentes culturas, e todas combinam fatos históricos com a crendice regional. Portanto, a maior parte dos povos possui uma entidade sobrenatural que alimenta-se de sangue, imortal e considerada maldita. O mito do vampiro é um ponto comum entre várias civilizações desde a Antigüidade.


Uma das maiores referências do mito vampírico é o sanguinário Vlad Tepes (ou Vlad III), que existiu realmente no século XV na Transilvânia. Porém, ele governou apenas a Valáquia, que era uma região vizinha. Apesar da crueldade extrema com os inimigos, Vlad III não possuía nenhuma ligação com os vampiros. O termo Drácula (Dracul, originalmente significa Dragão) foi herdado de seu pai, Vlad II, que foi cavaleiro da Ordem do Dragão. Provavelmente, a confusão se deu através da semelhança entre os termos Drache, que era o título de nobreza atribuído à Vlad II, e Drac que significa Diabo.
A relação entre Vlad III e o mito vampírico foi dada pelo escritor Bram Stocker. O autor de Drácula inspirou-se (provavelmente) nas atrocidades cometidas por Vlad III, e as incorporou em seu personagem principal. A partir deste momento, Vampiro e Drácula tornaram-se praticamente sinônimos na literatura e nas crenças populares.
No Brasil também encontra-se mitos relacionados aos vampiros e outros seres semelhantes. Neste caso, os registros entrelaçam-se com o rico folclore das várias regiões do país. Desde os centros urbanos, até as áreas menos desenvolvidas do Brasil, é comum ouvir-se relatos dos ataques sanguinários de criaturas que perambulam pelas madrugadas. Na maioria das vezes, essas histórias assemelham-se muito com as lendas européias.
Na mitologia indígena existe o Cupendipe, que apesar de não possuir a sede de sangue caracterizada pelos vampiros, possui asas de morcego, sai de sua gruta apenas durante a noite e ataca as pessoas usando um machado.
No nordeste brasileiro conta-se a história do Encourado. Um homem de hábitos noturnos, que usa trajes de couro preto, exalando um odor de sangria. O Encourado ataca animais e seres humanos para sugar-lhes o sangue. Prefere as pessoas que não freqüentam igrejas. Porém, os habitantes das cidades por onde o Encourado passa, oferecem-lhe o sacrifício de criminosos, crianças ou animais de pequeno porte.
Em Manaus, há relatos da presença de uma vampira que atacava os moradores, sugando o sangue através da jugular e deixando marcas de dentes em sua vítimas, exatamente como é contada nos cinemas. Após os ataques, a vampira corria em direção a um rio e transformava-se em sereia, desaparecendo na água. A Vampira do Amazonas possui a capacidade de transmutar-se e força física descomunal.
Em maio de 1973 no município paulista de Guarulhos, foi encontrado o corpo de um rapaz com as perfurações características em seu pescoço. Esse é apenas um exemplo da hipotética ação de vampiros em zonas urbanas. Neste caso, os relatos transcendem a fronteira da boataria e do folclore.


DOWNLOADS

O Livro de Nod

O Livro dos Vampiros

A Bíblia Vampírica 

Estudo Vampírico 

Dicionário Vampírico